#Segue o som#

sábado, 29 de março de 2014

Conversas de Buzu (Parte 1)

Na última quinta, estava eu no meu caminho para a universidade e me deparo com duas amigas conversando, em pé, ao meu lado, no fundo do coletivo. As duas contavam de seus dias anteriores, especificamente de fatos sobre a jornada de trabalho. Uma delas, pelo que notei, trabalha em alguma instituição de saúde e me deixou completamente indignada com sua fala. "Deu meu horário eu vou embora. Não quero saber de ninguém chegando dizendo que tá com dor só pra fazer exames", bradou. Nesse momento, voltei minha mente a pensar: esses são os tipos de profissionais de saúde que estamos tendo? Claro, existem muitas pessoas que de fato simulam dor para serem atendidos. Mas, e o restante que de fato está necessitando de atendimento?
O descaso com a saúde por parte de muitos profissionais só me faz ter a certeza do desamor que habita o coração de todos. É muito bonito se publicar frases sentimentais no facebook, apelar para a figura de boa pessoa, mas muito mais bonito seriam as pessoas agirem com humanidade para com todos. Olhar o outro é algo que tem sido literalmente esquecido pela sociedade. Enquanto comunicóloga eu vejo muitos profissionais da área da comunicação que se esquecem que um dos pilares da comunicação é o face-a-face. Por que não respeitar e dialogar com o outro? Estaríamos retrocedendo socialmente?
Citei a área da saúde por conta do caso que ouvi e mencionei a comunicação por ser minha área de formação, mas amplio esse debate para todas as profissões e reitero que o mundo está precisando de mais seres humanos, que se comuniquem através do olhar, que respeitem o outro e que de fato hajam com humanidade.