#Segue o som#

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Fechado pra balanço

Hoje é o dia de relembrarmos os fatos vividos durante 2014, aquilo que deu certo e também o que não deu. Sem ressentimentos, é o momento de pensar no que pode ser melhorado pro próximo ano que chega dentro de algumas horas.
"É promessa de vida pro meu coração". Esse é o sentimento: que o ano que chega traga mais vida, mais emoções e muito mais esperança pros nossos corações.
Aos amigos de sempre e aqueles que hoje me leem, deixo um texto clássico de final de ano:

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

ANDRADE, C. D. Receita de Ano Novo. Editora Record. 2008.

Aproveite da melhor maneira os 365 dias do seu 2015.
Afinal, o seu ano é você quem faz.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Na busca da graça da vida

"Todo dia ela faz tudo sempre igual (...)"
Leitores, nos meandros do dia a dia nos deparamos com algumas surpresas que nos fazem notar que a vida vale a pena. Eu sou muito conversadora e sempre encontro pessoas que falam mais do que eu. Ontem, à espera de uma consulta, conheci um senhor que me fez reavaliar minha jornada nessa loucura chamada vida.
Diante da impaciência de alguns pacientes, esse homem que já viveu tantas coisas começou a me contar sobre a perda de sua esposa. O significado da vida dele foi perdido, ele tentou suicídio por mais de uma vez e hoje traz sequelas disso no seu corpo. Mas agora ele tem reconstruindo a vida como dá: vive na companhia de seus pássaros, flores e de sua amada cadelinha. Os filhos o visitam com frequência, mas ele prefere mesmo é estar só, no silêncio de sua casa. No fundo, nada vai preencher a falta que sua amada  faz.
Paralelo a essas conversas, comecei a ler um livro que ganhei essa semana, A graça da Coisa, escrito pela colunista Martha Medeiros. Não conhecia a autora e fiquei um tanto que receosa, sem saber se gostaria da narrativa. Pra minha surpresa li um capítulo que parecia ter sido feito para mim e para aquele senhor que estava a me contar suas histórias.
O capítulo 'Amputações' retrata justamente aquilo que falta no ser humano. Somos seres frágeis e eternamente incompletos e a única coisa a se fazer é reaprender a viver mesmo com aquilo que nos falta. E é isso aí amigo. Dedico a todos vocês que sentem a falta de algo na suas vidas que encontrem "a graça da coisa" no que possuem.
Um final de semana iluminado e com muita graça para todos vocês!

sábado, 15 de novembro de 2014

Gritos de fé

Se você é desses religiosos fervorosos que não aceitam nenhuma crítica, aviso logo: se retire. Esse post faz parte de uma indignação individual e intransferível.
Sempre que passo em frente de algumas igrejas eu penso: Deus é surdo? Essa semana, ao chegar do trabalho, voltei a me indagar sobre essa questão. As pessoas parecem fazer competição de quem grita mais alto nos cultos. É um verdadeiro panelaço de vozes. Qual o intuito disso? Até onde sei tem uma passagem da bíblia que diz: se recolhe no teu quarto e ora. Então, oração não é essa confusão de sons que se vê, ou, que se ouve. As pessoas tem que aprender a fazer um encontro pessoal com Deus, no seu interior, nos momentos de paz e serenidade.
Deus é conforto, silêncio, ternura e não confusão! Por favor, mais bom senso.

sábado, 8 de novembro de 2014

Desespero de hoje, amanhã e além

Um ano de estudos. Medo, angústia, desespero.
A vida de um pré-vestibulando não é fácil. Eu bem sei que não. Alguns passam de primeira, outros continuam no cursinho por mais um, dois, três anos. E vem a UFBA, a UNEB, o ENEM. E agora, este último, é primordial para o ingresso na UFBA. E, agora José?
Sentada de minha cadeira disposta a olhar o mundo que me apresenta, vejo um sábado diferente. Amigos usam a hashtag 'partiu enem' em suas postagens. Nas ruas o engarrafamento é grande desde cedo. Ambulantes se amontoam para vender água e canetas (transparentes, viu?) nos locais de prova. É toda uma preparação para as 90 questões do dia.
São tantos brasileiros em busca de um lugar ao sol, de uma formação melhor, de um futuro aprazível. Hoje posso dizer que todo desespero vale a pena. Espero que toda a tensão de hoje e amanhã resulte numa alegria posterior ao ingressarem a academia.
Mas não se iludam. Dentro da universidade o desespero continua.

domingo, 12 de outubro de 2014

Sonhadora

Houve um tempo em que eu pensava que as pessoas fossem mais educadas, que  davam bom dia aos conhecidos, que agradeciam alguém que lhe fizessem um favor;
Houve um tempo em que os humanos eram mais amáveis, mais agradáveis, mais sociáveis;
Houve um tempo em que re-la-cio-nar era um ato mais fácil, mais tranquilo;
Houve um tempo em que as pessoas se amavam mais, se respeitavam mais, se suportavam mais;
Houve um tempo... será que esse tempo já existiu ou será que sonhei com sua concretude?
Talvez eu seja uma mutante e acredito num mundo ilusório, utópico, que só existe na minha imaginação.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O último dia da semana

Tudo corria bem. O mau humor matinal, o buzu lotado, o cansaço de toda semana, enfim, a sexta. A certeza era de que esse seria o último dia de uma semana tão corrida. Mas, quando menos esperamos tudo muda e um dia se perpetua em minha mente já faz duas semanas.
Costumo afirmar que o buzu nos oferece histórias magníficas e se eu escrevesse tudo que vejo e ouço nas linhas que pego diariamente, não sobraria espaço no meu blog, haja visto a quantidade de postagens que seriam.
Somos seres tão impacientes, apressados, à frente do tempo que quase nunca analisamos o que está a nossa volta. E eis o nome do meu blog mais uma vez surgindo nos meus pensamentos: analisar o cotidiano é voltar para si e para aqueles que nos rondam. O mundo tem muito a nos ensinar, a nos comover, a nos direcionar. Nessa sexta, aquela que seria o último dia de minha semana, vi uma senhora no ônibus, quieta, mal andava e com um rosto transfigurado. Sim, transfigurado. Eu mal a conseguia olhar.
[Silêncio]

Diante daquela idosa eu me senti mal. Vi que temos tanto e muitas vezes reclamamos. Vi que a vida é muito mais que uma festa, um dinheiro ou uma roupa de grife. Somos tão hipócritas. Nos preocupamos com o nosso cão, mas não ajudamos alguém na rua. Ou pior, mal saudamos alguém na rua, achamos não ser de nossa obrigação.
Não sou a melhor pessoa do mundo, nem a pior. Mas essa senhora me fez ver o mundo de um novo jeito, compreendendo que a vida é tão preciosa e nos mostra pessoas que enfrentam situações piores que a nossa, mas estão a cada dia lutando, vencendo ou ao menos tentando vencer.
E aquela sexta que seria é última, agora faz parte dos meus rabiscos.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

De quatro em quatro anos...

Realmente hoje é um dia atípico. Dia dos namorados sempre tem, todo ano, dia 12. Isso independe se você tem um companheiro (a) ou não. Só que o 12 de junho desse ano me despertou para falar do amor, mas não do amor entre casais e sim do amor verde e amarelo.
Hoje ao sair pela rua, em vielas, becos, avenidas e janelas o povo demonstra seu patriotismo e sua devoção pelo futebol. Nas ruas, bandeirolas. Nas janelas, bandeiras. Os mercados? Lotados. Todos querem comprar pipocas ou comidas típicas (amendoim, bolo, milho) para juntos assistirem à estreia da seleção Brasileira na Copa deste ano. Para além disso, o que mais me impressiona são as vestimentas. Mulheres que geralmente não dão tanta atenção ao futebol, vestidas de verde e amarelo. A camisa 10 continua sendo a preferida e os acessórios também estão em alta.
No que depender do entusiasmo da população, a Copa é nossa. Só acho uma lástima que esse amor seja como 'amor de verão' que tem todo esse furor, mas logo se esvai. Que todo esse patriotismo não dure apenas na Copa, mas que sejamos Brasileiros de hoje até sempre. Façamos que este amor seja duradouro que nem casais que juntos completam anos e mais anos de união. Enfim, feliz dia do amor!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Crenças Urbanas

Meus amigos mais próximos sabem que meu interesse no jornalismo é escrever sobre cidade. E hoje entendi o porquê desse desejo. Na cidade, emergem as mais variadas sensações, pessoas e casos pitorescos. E, sem dúvidas, há momentos urbanos que são dignos de serem relatados.
Hoje, no Campo Grande, sentei-me no banco para esperar pelo ônibus. Até que me deparei com uma senhora que me fisgou atenção. "Isso aqui é dinheiro, é livramento", bradava ela ao pegar um folheto de uma igreja evangélica que estava ao chão. A senhora estava indignada pelo fato das pessoas pegarem esses folhetos e jogarem fora, por que aquilo é palavra de Deus. Depois de tanta indignação, ela pôs o folheto por dentro da blusa, entre os seios.
Caros leitores, antes de qualquer coisa, eu tenho religião! Porém, discordo de certos comportamentos a respeito de práticas religiosas. Acho que as pessoas não devem se comportar enquanto massa, como pregava a Teoria Hipodérmica, diante do que a religião os impõe. Devemos ter criticidade e não sermos meros seres passivos diante dos dogmas que as religiões nos apresenta. Ao ver o comportamento dessa senhora imaginei o porquê que muitos líderes religiosos conseguem dinheiros e mais dinheiros de seus fiéis. Concordo que aqueles que desejam tenham sim religião, afinal, as vezes precisamos de uma força superior neste mundo. Porém, tudo tem seu limite, e o limite ente o céu e a terra é a razão!
Fiquemos atentos!

sábado, 29 de março de 2014

Conversas de Buzu (Parte 1)

Na última quinta, estava eu no meu caminho para a universidade e me deparo com duas amigas conversando, em pé, ao meu lado, no fundo do coletivo. As duas contavam de seus dias anteriores, especificamente de fatos sobre a jornada de trabalho. Uma delas, pelo que notei, trabalha em alguma instituição de saúde e me deixou completamente indignada com sua fala. "Deu meu horário eu vou embora. Não quero saber de ninguém chegando dizendo que tá com dor só pra fazer exames", bradou. Nesse momento, voltei minha mente a pensar: esses são os tipos de profissionais de saúde que estamos tendo? Claro, existem muitas pessoas que de fato simulam dor para serem atendidos. Mas, e o restante que de fato está necessitando de atendimento?
O descaso com a saúde por parte de muitos profissionais só me faz ter a certeza do desamor que habita o coração de todos. É muito bonito se publicar frases sentimentais no facebook, apelar para a figura de boa pessoa, mas muito mais bonito seriam as pessoas agirem com humanidade para com todos. Olhar o outro é algo que tem sido literalmente esquecido pela sociedade. Enquanto comunicóloga eu vejo muitos profissionais da área da comunicação que se esquecem que um dos pilares da comunicação é o face-a-face. Por que não respeitar e dialogar com o outro? Estaríamos retrocedendo socialmente?
Citei a área da saúde por conta do caso que ouvi e mencionei a comunicação por ser minha área de formação, mas amplio esse debate para todas as profissões e reitero que o mundo está precisando de mais seres humanos, que se comuniquem através do olhar, que respeitem o outro e que de fato hajam com humanidade.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

E quem nunca ouviu 'Lepo, lepo' atire a primeira pedra

Começo este post com uma afirmação: sou pagodeira sim e não me venham com críticas culturais sobre isso. Como apreciadora do pagode, não poderia deixar de escrever este texto, visto que meu dedos coçam todas as vezes que passo pela rua e escuto nos carros, em bares e nas vozes do povo o famoso 'Lepo, Lepo'.
Final do ano os hits começam a surgir nas rádios soteropolitanas e começam as apostas para a música que será consagrada no carnaval. Mas, esse ano noto um fenômeno que a tempos não vejo: Psirico invadiu a cidade com o seu consagrado Lepo, Lepo. São crianças, adultos, pessoas de diferentes classes sociais, aulas em academias... todos ouvindo e dançando ao som da música.
Se será a música do carnaval, não sei. Mas, por mim e por muitos baianos o Lepo Lepo já está consagrado e, não desmerecendo as demais músicas do momento, mas o Lepo Lepo é a música do verão!
E não importa se eu tenho carro ou teto, o importante é cantar e dançar o Lepo Lepo!
Para os que não conhecem a música ou não são de Salvador vejam o vídeo oficial:
Lepo Lepo Oficial