#Segue o som#

domingo, 20 de novembro de 2016

Luto Negro

Foto: Reprodução
Um domingo, dia 20, mês novembro. Eis que chove em Salvador, no meu coração e nos mais de 80% da população majoritariamente negra da capital baiana. Sempre começo esse dia dizendo que é dia de luta e parece que cada ano ela só aumenta.

A internet que tanto nos ajuda a propagar nossos ideais de igualdade e o orgulho em ser negro também mostra quantos racistas estão espalhados em todo o mundo. São cases de racismo diários que ratificam o desrespeito seja a anônimos ou até mesmo aos famosos. Na web a proporção dessas cenas é maior, mas basta olharmos para o nosso lado e veremos que a situação está aqui bem pertinho.

Mortos na Vila Moisés, o caso Davi Fiuza, o racismo institucional que nos persegue e TANTAS outras atrocidades que o povo negro sofre 24 horas por dia. É lindo os veículos de imprensa irem ao Pelourinho e mostrarem a cultura afro, mas mais lindo será pautar a nossa causa sempre. Nem só de percussão, estética e dança vive nosso povo. A miséria e a desgraça andam lado a lado com os nossos – basta olhar o genocídio que assola nossa juventude.

O tempo nublado deste dia é o choro de tantas mães que perderam seus filhos, de tantos negros que não são respeitados dentro desse mundo que deveria ser plural, de tantos dos nossos que não cansam de lutar para tentar uma mudança do sistema. Que essa chuva lave nossos choros e a mente dos preconceituosos espalhados em todos os cantos dessa cidade que é de todos os Santos.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Intolerância religiosa e da cor

Foto: Reprodução
Todos os anos fico afoita para ver o tema da redação do ENEM e nesse ano estava como chefe de sala. Só depois de coletar os dados biométricos dos participantes pude dá uma olhadinha no tema da temida dissertação argumentativa. Olhei e sorri. Explicarei o porquê.

Sou católica desde sempre, mas nunca tolerei a intolerância vivida por nenhuma religião. Nós (católicos) passamos por maus bucados nos tempos antigos, e ainda hoje em locais de guerra, onde nossa fé precisa ser cultuada nos “porões”. Mas, muito além de tudo isso, o povo de santo vive uma intolerância que perpassa tempos e gerações, e nenhuma outra crença é tão sofrida quanto essa.

Ontem, diante da efervescência que foi esse tema, muitos católicos se mostraram indignados pelo fato de ao falar intolerância religiosa automaticamente esse tema ser relacionado ao candomblé. E, sim, não tem como ser diferente. Além de todos estigmas, o povo de santo também, em sua maioria, é preto!

Penso que toda essa discussão vai muito além do culto a um Deus, aos santos ou aos orixás. Ela também é política e racial. Enquanto se tem um racismo enraizado em nosso país e um preconceito latente em todas esferas, a intolerância religiosa ainda será constante em nosso meio.