#Segue o som#

domingo, 12 de outubro de 2014

Sonhadora

Houve um tempo em que eu pensava que as pessoas fossem mais educadas, que  davam bom dia aos conhecidos, que agradeciam alguém que lhe fizessem um favor;
Houve um tempo em que os humanos eram mais amáveis, mais agradáveis, mais sociáveis;
Houve um tempo em que re-la-cio-nar era um ato mais fácil, mais tranquilo;
Houve um tempo em que as pessoas se amavam mais, se respeitavam mais, se suportavam mais;
Houve um tempo... será que esse tempo já existiu ou será que sonhei com sua concretude?
Talvez eu seja uma mutante e acredito num mundo ilusório, utópico, que só existe na minha imaginação.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O último dia da semana

Tudo corria bem. O mau humor matinal, o buzu lotado, o cansaço de toda semana, enfim, a sexta. A certeza era de que esse seria o último dia de uma semana tão corrida. Mas, quando menos esperamos tudo muda e um dia se perpetua em minha mente já faz duas semanas.
Costumo afirmar que o buzu nos oferece histórias magníficas e se eu escrevesse tudo que vejo e ouço nas linhas que pego diariamente, não sobraria espaço no meu blog, haja visto a quantidade de postagens que seriam.
Somos seres tão impacientes, apressados, à frente do tempo que quase nunca analisamos o que está a nossa volta. E eis o nome do meu blog mais uma vez surgindo nos meus pensamentos: analisar o cotidiano é voltar para si e para aqueles que nos rondam. O mundo tem muito a nos ensinar, a nos comover, a nos direcionar. Nessa sexta, aquela que seria o último dia de minha semana, vi uma senhora no ônibus, quieta, mal andava e com um rosto transfigurado. Sim, transfigurado. Eu mal a conseguia olhar.
[Silêncio]

Diante daquela idosa eu me senti mal. Vi que temos tanto e muitas vezes reclamamos. Vi que a vida é muito mais que uma festa, um dinheiro ou uma roupa de grife. Somos tão hipócritas. Nos preocupamos com o nosso cão, mas não ajudamos alguém na rua. Ou pior, mal saudamos alguém na rua, achamos não ser de nossa obrigação.
Não sou a melhor pessoa do mundo, nem a pior. Mas essa senhora me fez ver o mundo de um novo jeito, compreendendo que a vida é tão preciosa e nos mostra pessoas que enfrentam situações piores que a nossa, mas estão a cada dia lutando, vencendo ou ao menos tentando vencer.
E aquela sexta que seria é última, agora faz parte dos meus rabiscos.