#Segue o som#

sábado, 7 de maio de 2016

Ditadura da magreza

Queria começar dizendo que eu sou contra qualquer imposição. E, tenho ficado muito indignada com a necessidade do mundo em dizer como devem ser nossos corpos.
Sempre fui uma adepta do mundo fitness, mas nunca fui surtada ou desesperada com a barriga chapada ou músculos potentes. Treinar regularmente (na minha visão) é questão de manutenção da saúde. O restante, se vier, é complemento. Pois bem, eis que essa semana uma discussão enorme tem pairado minha mente: primeiro, um trabalho acadêmico sobre a construção da ideia de corpo belo estar atrelada ao consumo de alimentos orgânicos; segundo, um auê nos sites por conta da cantora Anitta estar mais 'cheinha' e os queridos fãs acharem isso o fim do mundo. E, terceiro, me deparo agora de manhã com a notícia de que uma professora foi impedida de assumir um cargo por ser considerada obesa mórbida, em 2014, e agora ela foi considerada apta pela justiça. Esse conjunto de questionamentos me faz recorrer as discussões propostas por Michel Foucault e outros autores que nos apresentam corpo como forma de poder.
A sociedade burguesa gerou uma obsessão pela norma, desde as “escolas normais” até a manutenção de padrões na produção industrial e a preocupação com as normas gerais de saúde no hospital moderno. A sanção normalizadora e a vigilância hierárquica são particularmente visíveis nos exames. (...) porque neles estão profundamente entrelaçados a necessidade de observar e o direito de punir. Em nenhuma parte a sobreposição do poder e do saber assume tão perfeita visibilidade. (Merquior, 1985, p. 144).
Eu confesso que essa necessidade atrelar magreza à vida saudável tem me deixado deprimida. É uma negação a todos os outros padrões de vida e corpos. É uma não aceitação do outro dentro de suas complexidades e diferenças. Fala-se tanto sobre respeito às minorias, mas no fundo tudo é só discurso que não se concretiza em ação.


Nenhum comentário:

Postar um comentário